Midia ,Sempre de olho!

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É preciso constantemente observarmos e questionarmos a forma como os meios de comunicação tratam os temas da nossa atualidade, uma vez que é principalmente através deles que a sociedade se informa e desenvolve seu senso crítico a respeito dos assuntos em geral.

Nem sempre a responsabilidade jornalística é posta em prática. Muitos conteúdos ainda são veiculados sem os devidos cuidados éticos com os temas tratados e o sensacionalismo continua conquistando muitas pessoas.

O telejornalismo até os dias de hoje é o principal veículo de informação no Brasil. A televisão está presente em 97,1% dos lares brasileiros, segundo o censo de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É devido a essa grande abrangência que ele foi escolhido como objeto de estudo da pesquisa em questão, levando em consideração seu grande nível de influência.

Além da preocupação com a ética jornalística, a pesquisa em questão nasceu também, com o intuito de contribuir com a luta contra a psicofobia, que é o preconceito e discriminação com pessoas portadoras de distúrbios psiquiátricos. Ainda nos dias atuais nossa sociedade encontra dificuldades para lidar com naturalidade diante dessas questões.

A pesquisa e seus detalhes
Foi escolhido o formato de monografia para tratar do assunto escolhido, por julgar que um tema tão delicado demandaria uma análise mais cuidadosa e detalhada a respeito. Além das referências telejornalísticas e psiquiátricas, foi feito também um trabalho de recolhimento de entrevistas com profissionais das áreas e pessoas portadoras de transtornos psiquiátricos. Para isso, foi feito um recorte de três principais transtornos: Transtorno Afetivo Bipolar, Transtorno Obsessivo Compulsivo e Esquizofrenia.

A pesquisa contou com a colaboração de três pessoas portadoras de TOC, duas pessoas portadoras de transtorno afetivo bipolar e duas pessoas portadoras de esquizofrenia.

Na área jornalística, foram recolhidas entrevistas dos jornalistas José Maria Tomazela (correspondente d’O Estado de S. Paulo) e Gabriel Alves (correspondente da área da saúded’A Folha de S. Paulo) e de Oscar D’Ambrosio, assessor-chefe da assessoria de comunicação e imprensa da Unesp e editor da Revista Unesp Ciência. Quanto à área da psiquiatria, foram entrevistados a Dra. Fernanda Moreira, que é professora do curso de medicina da UNIFESP, o Dr. Ary Gadelha, coordenador geral do Programa de Esquizofrenia (PROESQ) da UNIFESP e José Orsi, diretor da Associação Brasileira de Familiares e Amigos de Portadores de Esquizofrenia (ABRE).

Buscou-se saber as opiniões dos entrevistados a respeito de quatro produções telejornalísticas sobre o tema de saúde mental. Os programas são o documentário feito por Goulart de Andrade em 1988, os especiais “Doenças Psiquiátricas”, transmitido em 2009 pelo programa Profissão Repórter, da TV Globo, “Quebrando paradigmas psiquiátricos”, transmitido em 2012 pelo programa A Liga, da TV Band, e “A casa dos esquecidos”, transmitido em 2012 pelo programa Conexão Repórter, do SBT.

Conclusão: O jornalismo brasileiro está preparado para lidar eticamente com situações de saúde mental?
A pesquisa concluiu, através das referências utilizadas e das entrevistas feitas com os colaboradores, que há uma visível e crescente preocupação da mídia brasileira em humanizar os indivíduos portadores de transtornos psiquiátricos.

No entanto, essa preocupação não indica necessariamente um avanço com relação à discriminação sofrida por essas pessoas, que em alguns casos acaba partindo dos próprios repórteres encarregados pela produção das matérias e recolhimento das entrevistas.

Estes profissionais, enquanto indivíduos componentes de um grupo social, não estão isentos de preconceitos e despreparos para lidar com determinados temas. Como um reflexo da sociedade, o jornalismo brasileiro atual ainda não está totalmente preparado para tratar de um tema com tamanha delicadeza.

Em casos de temas como esse, que ainda têm muitas informações a serem descobertas e divulgadas, é fundamental que se adote uma nova abordagem jornalística, de maneira a tratar esses assuntos com responsabilidade e transparência, até que se esgotem as dúvidas e os tabus a respeito do conteúdo em questão.

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